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São Miguel/RN

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

MAIOR GREVE DA HISTÓRIA DA UERN EXPÕE DESCASO COM A EDUCAÇÃO PÚBLICA NO RN


Desde o dia 25 de maio, data em que teve início a paralisação de docentes, técnicos e estudantes da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), passaram-se 108 dias que garantiram à Universidade o maior tempo de paralisação em sua história, um recorde que nenhuma instituição de ensino gostaria de carregar.
Para o presidente da Associação dos Docentes da Uern (Aduern), Valdomiro Morais, a morosidade do governo em resolver este impasse é condenável. De acordo com ele, é muito triste ver mais um recorde negativo imposto à Universidade e saber que foi a falta de compromisso do Executivo que materializou esta triste situação.
"Absurdo é a palavra que eu utilizaria para descrever uma greve que chega a 108 dias sem nenhum sinalização de término. O governador Robinson Faria deixa claro a toda sociedade potiguar a sua falta de empenho e compromisso em resolver este impasse. É preciso lembrar que em 2014, quando tentava se eleger governador, ele garantiu que cumpriria o acordo firmado, o que até agora não aconteceu", disse Valdomiro.
O docente relembra que no ano passado foram realizadas uma série de reuniões que garantiram o acordo com os servidores da Uern e impediriam novas paralisações na instituição. Ele destaca que a greve poderia ter sido evitada se o novo governo estivesse disposto a dialogar sobre o conjunto de pautas de docentes, técnicos e estudantes.
"Em nossa pauta, buscamos o cumprimento do Plano de Cargos e Salários, o que implica em um realinhamento de 12,035%, além disso reivindicamos a realização imediata de concurso público e de uma série de melhorias estruturais nos campi da Uern. Os técnicos também têm reivindicações que tocam à categoria. E os estudantes lutam por avanços como reforma e construção de residências universitárias e restaurantes nos campi", destacou o docente.
A última paralisação na Uern que conferiu números semelhantes aos desta greve aconteceu durante o Governo de Rosalba Ciarlini, ainda em 2011, quando foram necessários 106 dias para que um acordo fosse firmado entre as partes. O mesmo acordo viria a ser descumprido no ano seguinte, causando uma nova paralisação.
O presidente da Aduern à época, Flaubert Torquato, relembrou que durante a última grande paralisação a estratégia utilizada pelo Governo Rosalba foi de enfrentamento direto, diferentemente do atual momento, marcado pela passividade do governador Robinson, que, segundo ele, tenta vencer os servidores pelo cansaço.
"No decorrer dessas paralisações a Aduern e a própria Uern foram alvos de uma campanha de descrédito promovida pelo Governo do Estado na época, que insultou e difamou a Universidade, apontando para seu alto custo, tentando destruir a imagem da instituição e junto a da Aduern. Até então, nunca antes na história deste Estado algum governante chegou a tanto. Mas, felizmente, não obtiveram êxito" lembrou Flaubert.


Servidores realizam twitaço "descomemorando" recorde
A comunidade acadêmica da Uern realizou ontem um twitaço"descomemorando" o recorde de dias de paralisação na Universidade. A atividade movimentou as redes sociais que por vários momentos teve a tag #EmdefesadaUern entre os assuntos mais citados do Twitter em todo o Brasil.
Para os docentes, o objetivo de chamar a atenção da sociedade para o descompromisso do Governo do Estado com a Uern foi cumprido com êxito, já que o protesto foi visto por milhares de pessoas em todo o país e esteve entre os principais assuntos na internet.
Amanhã os docentes realizam mais um ato público, desta vez na sede da Governadoria, em Natal. Posteriormente ao protesto será realizada uma reunião com o consultor do Estado, o secretário de Planejamento, Gustavo Nogueira, o promotor da Educação, Raimundo Caio, o deputado Souza (PHS) que tem ajudado na mediação do impasse, e o reitor da Universidade. O encontro com os segmentos da Uern terá como objetivo buscar soluções imediatas para a paralisação.


GREVE DA UERN DETALHADA


Iniciada no dia 25 de Maio
Pautas: Os docentes reivindicam um realinhamento salarial de 12, 053% que garantirá a implementação do Plano de Cargos e Salários (PCR) da categoria, além da realização imediata de concurso público e de uma série de melhorias estruturais nos campi da Universidade.
Técnicos - Além do reajuste de 12,035%, buscam redução de jornada de trabalho sem perda da insalubridade.
Estudantes - Construção de Restaurante Universitário em todos os campi, Residência Universitária, conclusão das obras em Natal e Caicó entre outros.


A UERN POSSUI:
256 professores substitutos 
- 760 professores efetivos
- 94% alocados no interior
- 15,3 mil estudantes matriculados na graduação e pós-graduação
- 6 campi Mossoró, Assu, Natal, Pau dos Ferros, Caicó, Patu
- 11 núcleos desativados: João Câmara, Touros, Nova Cruz, Santa Cruz, Areia Branca, Macau, Apodi, Umarizal, Caraúbas, São Miguel e Alexandria


Cursos
- 35 cursos de graduação
- 15 mestrados
- 2 doutorados
Fonte: O Mossoroense / João Moacir.


Postagem de Evandro Lopes.